O mago Alfinete parte 1

Era uma vez um grande rei da Ásia que, depois de ter vivido mil anos e um dia, perdera ao ser vencido numa guerra infortunada todos os seus haveres: reino, súditos, cetro e coroa real inclusive. Ficara-lhe somente um alfinete, que ele usava para prender no peito a última condecoração que lhe restava, muito brilhante, mas de latão, razão pela qual ninguém a queria comprar.
No dia em que esse grande rei morreu, nevava e fazia um frio de rachar pedras.
Por isso o seu filho, que se chamava Wladimiro, pôs-se a dizer, tremendo e soprando as mãos:
- O meu pobre pai nunca teve qualquer doença. Se morreu hoje, a culpa foi do frio; ai de mim! ai de mim! estou arriscado a morrer, eu também!
Compreendem? Porque naqueles tempos, de velhice nunca se morria; quando muito, um velho cessava de viver porque se esquecia de respirar, ou por causa do calor excessivo, ou por comer doces demais. em suma, morria de algum acidente.
Aquele reida Ásia, que vivera mil anos e um dia, morrera de frio e não devido à sua idade.
E não era pra menos!
Imaginem que agora o seu palácio não era nada mais do que uma palhoça coberta com ramos secos de abeto e sem paredes!
Era de enregelar! Em volta não se via senão neve. As árvores de um bosque vizinho - todos abetos, pinheiros e faias - pareciam ter-se envolvido em pesado manto branco, que cada dia se tornava mais espesso.
Não se via senão branco, no céu e na terra.
Wladimiro, que era um belo jovem de vinte anos, notou a certa altura que as suas lágrimas gelavam e então parou de chorar e pensou que devia fazer.
- Antes que o frio me transforme em um pedaço de gelo - disso consigo mesmo - vejamos onde o meu pobre pai escondeu seu testamento. Talvez me tenha deixado riquezas que teve sempre escondidas de mim, a fim de que eu não as dilapidasse antes e atingir a maioridade.
E pôs-se a procurar pela choupana.
Não era muito dificil procurar alguma coisa ali. Não havia armários, nem arcas para abrir, nem também cofres. Podia-se poupar o trabalho de descoser os colchões, porque colchões não existiam em casa, como não havia camas, nem cadeiras, nem mesas, tudo coisas inúteis e incômodas, que não se deveriam nunca ter inventado.
Não havia outra coisa senão ramos com folhas secas que o vento frio de janeiro ia levando uma a uma, e como seria possivel que um tão grande rei da Ásia, tão rico de anos e de experiência, tivesse ido esconder o seu testamento debaixo de folhas secas?
Wladimiro teve de converncer-se de que o pai se esquecera de ditar as suas últimas disposições, como acontece a quase toda a gente que morre moça, visto que a juventude jamais pensa na morte.
De resto, esse fôra o único esquecimento daquele avisado monarca.
Tudo o que ele poderia fazer em caso de morte, tinha-o feito.
Por exemplo, nascera nu e morrera vestido, o que já demonstrava alguma coisa da sua parte.
Que poderia Wladimiro herdar dele?

Continua…

Contos de fadas da minha infancia…

Há longos e longos anos atrás, vivia um garotinho numa casa, junto com seus pais, seu pequeno irmão e sua tia. E nas longas noites frias de inverno, os dois irmão se juntavam encolhidos na cama para ouvir a tia contar histórias… Algumas de maravilhosos livros, outras inventadas por ela mesma… e era uma pontinha de esperança nos olhos das crianças….

E minha infancia eu cresci ouvindo histórias maravilhosas, algumas perdidas no esquecimento, como as que minha tia inventava, outras nos livros que ainda possuo…. e esses dias eu lembrei de um livro excelente, chamado “Os mais belos Contos de fadas Poloneses”, e hoje o encontrei, todo desmilingüido, tadinho… mas possivel de leitura!

e para deleite de alguém, ou não, vou transcrever neste blog um ou outro conto, a começar pelo “O Mago alfinete“, que é cheio de humor sútil. espero que alguém aproveite…